O uso do jogo Cara a Cara como recurso para apoiar a comunicação e interação das pessoas com autismo
Com o conhecimento adquirido no decorrer da disciplina de TGD Transtornos Globais do Desenvolvimento, atualmente conhecida como TEA Transtornos do Espectro Autista (DSM-5), percebemos que entre os sintomas geralmente presentes, há déficits significativos em dois principais domínios:
1. Sociais/déficits de comunicação;
2. Interesses fixados e comportamentos repetitivos.
À saber:
* Déficits persistentes na comunicação social e na interação social através de contextos não contabilizados pelos gerais atrasos de desenvolvimento.
* Restritos, padrões repetitivos de comportamento, interesses ou atividades.
* Os sintomas devem estar presentes na primeira infância (mas podem não se manifestar plenamente, até demandas sociais excederem as capacidades limitadas).
* Os sintomas juntos limitam e prejudicam todo o funcionamento do dia.
Como proposta para melhorar a comunicação das crianças com TEA em nossas escolas e ampliar sua interação com os demais, escolhi um jogo conhecido como Cara a Cara.
O Cara a Cara foi um jogo de tabuleiro lançado em 1986 pela empresa Estrela, baseado no jogo Guess Who?, criado em 1979 e fabricado pela Milton Bradley Company (adquirida pela Hasbro em 1984).O objetivo do jogo é através de perguntas e raciocínio lógico, descobrir o personagem do seu adversário. Apesar das diferentes variações no mercado, esse jogo é geralmente composto pelos seguintes itens:
* 2 tabuleiros
* 48 molduras de plástico
* Pinos para a contagem de pontos
* Ficha de Instruções
Atualmente, além das versões com os personagens queridinhos da crianças como Disney e Turma da Mônica, há também versões online que atraem também o público jovem. É um jogo divertido e atraente que além de estimular a comunicação e a interação social, proporciona o raciocínio e a necessidade de ir além nos processos comunicativos, investigando pistas, buscando novas informações e tentando responder às investidas do adversário de forma inteligente sem entregar a resposta que ele espera.
Também é possível construir esse jogo com os alunos na SRM. Vamos lá? Vamos precisar de:
- duas tampas de caixas de sapato;
- duas caixinhas de sabonete;
- 40 tampinhas de suco de caixinha;
- cola instantânea;
- papel-cartão;
- tinta guache;
- pincel;
- tesoura sem ponta;
- 40 imagens pequenas de "pessoinhas";
- 40 imagens grandes iguais às pequenas
Primeiro vocês terão de pintar as caixas e colar as figurinhas pequenas nas tampinhas (20 para cada jogador). Depois, colem as tampinhas em cada caixa de papelão e numerem os personagens na abertura de cada tampinha (de 1 a 20, sem repetir). Em seguida, recortem o papel-cartão, formando 20 cartas. Em cada uma delas, colem uma das figuras grandes e escrevam o mesmo número que está na figura igual pequena.
Para brincar, cada jogador sorteia um cartão grande. Depois, os dois se alternam com perguntas sobre como é a "pessoinha" do outro, por exemplo: "usa óculos?", "tem barba?", "é mulher?". Só vale responder "sim" ou "não" e ganha quem descobrir primeiro o personagem do outro.
Fica assim:
Lindo, não é? E pode ser usado com crianças e adolescentes de 7 à 14 anos com autismo clássico em diferentes espaços como sala regular, SRM ou até mesmo nos demais espaços da escola e em casa, sempre visando a interação entre o aluno e outra pessoa mediadora que deverá apoiar e instruir a pessoa com TEA a se organizar dentro do diálogo.
Uma dica minha é utilizar personagens de temas de interesse do aluno, inclusive temas escolares ou em destaque na mídia como por exemplo a Copa do Mundo. #ficaadica